Tosse na infância

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A tosse é um sintoma muito comum em qualquer faixa etária. Na infância, ela causa grande desconforto e angústia principalmente aos pais, que às vezes ficam sem ferramentas para atuar diante dela, além de passarem muitas noites mal dormidas.

A tosse é um mecanismo de defesa das vias respiratórias

A tosse é um mecanismo de defesa que a natureza criou para proteger os nossos pulmões das secreções produzidas pelas vias respiratórias e de objetos, alimentos e outros corpos estranhos que possam penetrar a via aérea por acidente. O seu controle é neurológico, e existe uma região do cérebro que cuida especificamente desse reflexo.

Existem alguns tipos diferentes de tosse, e cada um deles tem um significado.

A tosse seca é aquela que não produz mobilização de secreção. Sua origem é o estímulo ou inflamação das vias aéreas. É frequentemente observada no início dos quadros gripais ou nos engasgos. Quando persiste por longos períodos, pode ser sintoma de doenças alérgicas como a asma ou o choque anafilático. Nesse caso, ela costuma estar acompanhada por chiados ou sibilos, que são ruídos bem agudos, semelhantes ao miado do gato, geralmente audíveis na expiração.

A tosse produtiva é acompanhada de secreção

A tosse produtiva é caracterizada por movimentar variadas quantidades de secreção, o que gera um ruído característico. Essa secreção quase sempre é eliminada para a boca e, em seguida, deglutida pela criança. Tem um papel fundamental na limpeza das vias respiratórias em quadros infecciosos ou inflamatórios que produzem grandes quantidades de secreção. Portanto, deve ser considerada como um fator positivo, pois é sinal que o organismo da criança está dando conta de procurar um caminho de cura. O processo de cura total leva cerca de três semanas e, nesse período, é totalmente normal que haja crises de tosse.

A tosse rouca ou ladrante é aquela grosseira, parecida com o latido de um cão. É a tosse típica da laringite, que é uma inflamação na parte baixa da garganta, causada por um vírus semelhante ao do resfriado. Pode ou não estar associada a rouquidão e a estridor laríngeo, que é um som muito áspero e grosseiro ouvido durante a inspiração. A presença de estridor é sinal de gravidade, pois significa que a passagem do ar está obstruída pelo inchaço da garganta. Nesse caso, um pronto-socorro deve ser procurado com urgência.

Tosses em salvas podem ser sinal de engasgo

Tosses em salvas. São ataques de tosse que aparecem de repente em criança que, antes, estava bem e saudável. Pode ser provocada pela aspiração de algum objeto, como uma peça de brinquedo, espinha de peixe ou leite. Por esse motivo, é fundamental evitar a exposição de crianças menores de 5 anos a peças pequenas e alimentos com espinhos ou ossos pequenos, além de observar a indicação etária que consta nas embalagens dos brinquedos.

Outra causa para a tosse em salvas é a coqueluche, também chamada de pertússis ou tosse comprida. É uma infecção respiratória que, graças à vacinação, tornou-se rara no Brasil. Porém, ainda é comum em bebês muito pequenos, que ainda não têm idade para serem vacinados. Pode ser muito grave quanto menor for o bebê, e é caracterizada por ataques com muitas tosses na mesma expiração, frequentemente acompanhada pelo chamado guincho inspiratório, que é uma inspiração muito profunda que gera um som alto. Como o período expiratório fica demasiadamente prolongado, pode faltar o ar para a criança, que pode ficar sonolenta ou até mesmo desmaiar após uma crise.

Existe ainda a tosse psicogênica, que é aquela autoprovocada. Nese caso, a criança produz a tosse nos momentos em que está sendo observada, como uma forma geralmente inconsciente e não intencional de atrair a atenção dos adultos. Essa tosse habitualmente melhora durante o sono ou quando não há outras pessoas próximas.

Antitussígenos atrasam a cura e podem piorar a doença

Como cada tosse tem características diferentes e pode ter causas muito distintas, o tratamento deve ser individualizado a partir da avaliação médica detalhada da criança. Em geral, as tosses secas e produtivas que duram menos do que três semanas podem ser consideradas como resposta natural do organismo à infecção, e não devem ser tratadas com medicações antitussígenas, uma vez que têm papel fundamental na limpeza das vias aéreas, e a sua suspensão pode retardar o processo de cura ou até mesmo complicar a doença por permitir o acúmulo da secreção.

O mais importante é umidificar as vias aéreas

Nesses casos, o mais indicado é umidificar as vias aéreas, ou seja, higienizar as narinas com soro fisiológico e realizar nebulização (com inalador e soro fisiológico) ou vaporização (com o vapor do chuveiro). Isso irá reduzir a irritação da mucosa respiratória, diminuindo o estímulo desencadeante de tosse, além de remover mecanicamente o excesso de secreção, reduzindo a necessidade de tossir como mecanismo de limpeza.

Em alguns casos, como por exemplo na tosse asmática, não adianta tratar a tosse, já que é preciso antes cuidar da doença que a está causando. Isto é, um xarope antitussígeno não terá efeito nenhum se a crise de asma não for corretamente medicada.

O mesmo acontece na aspiração de objetos ou alimentos, os quais devem ser removidos conforme for possível.

Já as tosses da laringite e da coqueluche podem sim necessitar tratamento, dependendo do caso, devido à possibilidade de insuficiência respiratória importante.

Por fim, a tosse psicogênica pode precisar de uma atenção especial do pediatra e de um psicólogo ou psiquiatra infantil, para um tratamento mais adequado.

Tosses que persistem por mais de 3 semanas ou acompanhadas de febre por mais de 3 dias precisam de investigação, a fim de se pesquisarem causas possivelmente mais graves, assim como aquelas em que há falta de ar, alteração de consciência ou alteração da cor da pele (pálida ou roxa) após a crise.

Source: Notícias

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