COVID-19: Em vídeo, SBP atualiza pediatras com as recomendações mais atualizadas sobre o novo coronavírus

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Uma audiência aproximada de 3,6 mil espectadores. Esse foi o número de pediatras, profissionais de saúde e internautas que acompanharam a live promovida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), na noite da última quarta-feira (18), com orientações atualizadas para especialistas sobre a pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-cov-2).
A transmissão, realizada através do YouTube e Facebook – contou com a apresentação dos presidentes do Departamentos Científicos de Infectologia e de Imunizações da SBP, dr. Marco Aurélio Sáfadi e dr. Renato Kfouri, respectivamente. Até o momento, o vídeo – disponibilizado na íntegra nas plataformas digitais da entidade – já contabiliza mais de 25 mil visualizações.

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Conforme frisou o dr. Marco Aurélio, a atual situação é grave, com mudanças sensíveis no quadro de saúde pública do País, e exige a atualização científica de todos os profissionais de saúde em relação à infecção da COVID-19, com ênfase em aspectos de prevenção, transmissão e tratamento. No Brasil, os primeiros contatos com pacientes infectados ocorreram há duas semanas e, por enquanto, as evidências disponíveis são baseadas em revisão bibliográfica de estudos internacionais.

“Esse novo coronavírus é a sétima espécie identificada. Quatro delas historicamente têm alta prevalência entre a população mundial, responsável por resfriados comuns. É importante salientar que o Sars-cov-2 tem similaridades genômicas com um coronavírus que circula acometendo morcegos, sendo essa a suposição de sua origem”, explicou.

TRANSMISSÃO – Segundo os especialistas, a transmissão do Sars-cov-2 ocorre principalmente através do contato com uma pessoa infectada, por meio de gotículas respiratórias geradas quando a pessoa tosse e espirra, ou por meio de saliva e secreção nasal. Ainda não há evidências suficientes para atestar qual o tempo de sobrevida do vírus em ambientes e objetos.

Há estudos que já apontam para a detecção de material genético do Sars-cov-2 em swab oral, anal e sangue. No entanto, não é possível afirmar com clareza se a transmissão ocorre por todos esses meios. “No momento, as recomendações difundidas incluem respeitar uma distância segura de um metro das outras pessoas e cobrir o rosto com o braço ou roupas ao falar, tossir ou espirrar”, afirmou o dr. Marco Aurélio.

Segundo as pesquisas, a grande maioria dos pacientes infectados inicia com os primeiros sintomas a partir do quinto dia, após ter contato com o vírus. A capacidade de transmissão de um paciente doente corresponde, em média, a dois ou três novos casos. A hipótese principal é que indivíduos infectados sem sintomas tenham capacidade de transmissão, porém menos efetiva em comparação com aqueles que apresentam as manifestações clínicas.

RESTRIÇÕES SOCIAIS – Segundo o presidente do DC de Infectologia da SBP, o crescimento exponencial do número de casos ocasiona um grande acúmulo de doentes num curto espaço de tempo. Devido às características específicas desse vírus, 20% dos episódios evoluem para quadros mais graves, em que há insuficiência respiratória – principalmente entre idosos e pessoas com co-morbidades relacionadas. Esse quadro é especialmente perigoso, uma vez que sobrecarrega os serviços de saúde e preenche os leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

“Essa situação gera um verdadeiro caos nas unidades de saúde, sendo o comprometimento da infraestrutura dos serviços de atendimento justamente o fator que gera um expressivo número de mortes, como já observamos em alguns países. Por isso, é tão fundamental utilizar estratégias para evitar a aglomeração de pessoas e interromper o crescimento acelerado do número de doentes. Desse modo, vamos evitar um pico de pacientes infectados e distribuir os episódios ao longo do tempo. Assim, haverá possibilidade de assistência para todos e certamente menos óbitos”, explica.

De acordo com o presidente do DC de Imunizações da SBP, no modelo ideal de atendimento, outra medida indicada é a testagem indiscriminada da população. Mas, num país com mais de 200 milhões de habitantes e com a quantidade limitada de testes disponíveis, essa ação representa um enorme desafio.

ALEITAMENTO MATERNO – Na avaliação da SBP, conforme ressaltaram os especialistas, não há evidências científicas que respaldem a suspensão da amamentação em casos de infecção da mãe pelo Sars-cov-2. A lactante deve estar em condições clínicas adequadas e seguir as recomendações de higiene: sempre lavar as mãos antes de amamentar e utilizar máscara.

“A transmissão vertical (intrauterina) também não foi verificada nos primeiros estudos sobre o tema. Além disso, as evidências demonstram que manifestações graves do COVID-19 são raras em crianças e adolescentes. Os idosos são indiscutivelmente o grupo mais afetado pelo novo coronavírus. Acima dos 80 anos, há estatísticas de 15% de óbitos”, disse o dr. Renato Kfouri.

TRATAMENTO – Conforme descrito pela European Medicines Agency (EMA) e na avaliação dos especialistas da SBP, há plausibilidade sobre os efeitos deletérios do medicamento ibuprofeno no tratamento dos pacientes acometidos pelo novo coronavírus. Entretanto, não existe documentação científica suficiente para ratificar uma relação entre o uso do remédio e o agravamento clínico dos pacientes com COVID-19 e as informações já apresentadas necessitam de investigação mais detalhada.

O dr. Renato Kfouri ressaltou também que não há expectativa de licenciamento de vacinas para prevenção do COVID-19 em curto prazo. “Para que ocorra a implementação, os vários estudos em busca de uma imunização precisam percorrer as etapas e protocolos de segurança e eficácia. No momento, nenhuma alternativa está aprovada pela comunidade científica. A fase ainda é de apontamentos e testes iniciais”, declarou ele.

RECOMENDAÇÕES – Além das restrições sociais e do cuidado ao tossir e espirrar, outra orientação é para limpar todos os ambientes, superfícies e equipamentos – com atenção especial aos smartphones. Até o momento, não há consenso sobre a persistência do vírus no ambiente, por isso, a limpeza da casa e objetos é fundamental. As mãos devem ser higienizadas com água e sabão ou álcool em gel. Os ambientes podem ser limpos com álcool etílico, com a porcentagem entre 60% e 70%.

Os pediatras e profissionais de saúde, por estarem mais expostos à infecção, devem tomar cuidados especiais. No atendimento ambulatorial, as medidas de higiene devem ser reforçadas, como a lavagem de mãos entre o atendimento de cada paciente e a desinfecção das superfícies. Se possível, estabelecer um tipo triagem para isolamento dos pacientes com quadros suspeitos que chegam ao consultório. Espaçar as consultas também é uma opção válida. Além disso, é indispensável o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): como máscaras, luvas descartáveis e avental.

“Para as mães de crianças com quadro gripal padrão, sem nenhum sinal de alerta (como insuficiência respiratória, febre persistente, entre outros), é razoável recomendar que permaneça com o filho em casa, nesse momento. Não levar a criança ao pronto-socorro ou hospital sem real necessidade”, enfatizou o presidente do DC de Infectologia da SBP.

Nos próximos dias, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgará um novo documento científico com recomendações sistematizadas destinadas a orientar a prática profissional dos pediatras e esclarecer eventuais dúvidas de pais, mães e responsáveis sobre a prevalência do COVID-19 em crianças e adolescentes.

 


Fonte : Sociedade Brasileira de Pediatria (20/03/2020 às 10h28)

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